O projeto de construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), com 1.527 km de extensão já consumiu R$ 3 bilhões dos cofres públicos, mas se tornou o reflexo imediato da situação crítica em que se encontra a Valec, estatal responsável pelas obras ferroviárias. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, publicada neste domingo (6/9), a Valec autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes acumula R$ 600 milhões em dívidas com dezenas de fornecedores e prestadores de serviço. Na prática, para quitar esse débito e assumir uma postura financeiramente responsável, a empresa teria que paralisar todas as suas atividades – para não gerar ainda mais dívidas – e adiantar todos os recursos que tem para receber até o fim deste ano. Para não travar de vez, a estatal decidiu tomar duas medidas emergenciais. A primeira foi pedir às construtoras que atuam nos lotes da ferrovia para que trabalhem, basicamente, na manutenção das obras que executaram até agora, como os serviços de terraplenagem, para que os trabalhos já entregues não se deteriorem com o tempo. A segunda decisão foi suspender todas as entregas de trilhos que já tinha adquirido de fabricantes da China e Espanha.
O material que chegaria este ano não tem mais data certa para desembarcar no País. Essas informações foram confirmadas pelo presidente da Valec, Mário Rodrigues Júnior. “Dadas as condições atuais, realmente a nossa prioridade hoje é garantir que nenhum lote seja paralisado e que os serviços prontos não se percam”, disse. Sem receber pelos serviços, não restou outra alternativa às empreiteiras senão a demissão em massa. Um ano atrás, os lotes da Fiol eram ocupados por 5,6 mil trabalhadores. Hoje, esse número caiu pela metade, com apenas 2,9 mil funcionários. Com atraso sobre atraso, a Fiol se converte em um projeto sem começo, meio ou fim, para o total desespero dos produtores de soja, milho e algodão do oeste baiano, onde está uma das principais províncias agrícolas do País e que, há anos, espera uma solução de transporte para escoar sua produção.
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