sábado, 15 de fevereiro de 2014

Fator Indonésia: níquel pode ter alta de 50%





Conforme publicado no Portal do Geólogo a proibição da Indonésia sobre a exportação de minério bruto iria afetar a Vale e, naturalmente, os preços do níquel. O Banco Macquaire acredita que os preços do níquel serão catapultados e poderão subir mais de 50%. Os chineses, que são os maiores compradores do níquel laterítico da Indonésia estão em apuros e deverão reduzir significativamente a sua produção de gusa-níquel que estava acabando com a competição. O gusa-níquel chinês havia praticamente inviabilizado o níquel mundial que não conseguia competir com os baixos preços praticados pela China. O banco acredita que o mercado de níquel deverá diminuir sensivelmente nos próximos anos. A queda imediata só não é maior porque os chineses haviam estocado minério antes da proibição.

As avaliações geram esperança para o setor de mineração de níquel, muito especialmente para a região de Ipiaú, abalada por uma forte crise no setor que hoje responde por uma grande fatia da geração de emprego e renda na região. Os preços do níquel subiram cerca de 6,7% com a proibição das exportações de minérios não beneficiados, imposta pela Indonésia no dia 12 de janeiro. De acordo com um estudo da Roskill Information Services, novos aumentos estão previstos, de forma que o valor do metal pode chegar a US$ 16 mil por tonelada ou mais em 2014.

Na primeira semana de negociação após a proibição, os preços do níquel subiram de US$ 13,6 mil por tonelada para US$ 14,5 mil por tonelada. De acordo com as estimativas da Roskill, a Indonésia foi responsável por 17% do total de níquel extraído no ano passado. Apesar das especulações anteriores de que o governo da Indonésia iria aceitar regras mais brandas no período de transição, apenas os dois maiores produtores de cobre do país, Freeport McMoRan e Newmont Mining Corporation, receberam algum benefício.

“Com o aumento de 20% a 60% no imposto de exportação sobre concentrados de cobre, previsto para o segundo semestre de 2016, até mesmo essas empresas vão ter a sua competitividade testada”, afirma o estudo. Segundo a pesquisa, esse aumento dependerá da evolução da política de exportação da Indonésia. A pesquisa da Roskill considera a proibição “apenas uma etapa de um debate em curso”. Como o atual presidente da Indonésia se aproxima do final de seu segundo mandato, uma mudança na liderança política é inevitável, de forma que “o sucesso da proibição de exportação continua a ser impossível de prever”, segundo o relatório.

As pressões internacionais também podem conspirar uma mudança na política do país. O volume de exportação de minério de níquel das Filipinas deve aumentar, mas seu baixo teor é pouco adequado para o uso nos modernos fornos elétricos da China. O uso do minério poderia aumentar os custos de produção em até 30%, tornando o processo economicamente desinteressante para novos produtores.

De acordo com a Roskill, as indústrias de ferro-gusa de níquel e aço inoxidável da China serão as maiores perdedoras com a proibição da Indonésia. O estudo afirma que o governo chinês pode entrar na briga política em torno da proibição de níquel e tentar efetuar uma isenção para algumas de suas empresas.

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